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sábado, agosto 03, 2013

Na Casa do Toy

O povo lusitano, antes de massacrado pela crise e deprimido pela instabilidade politica e social, enfardava fortemente a mesa do tubo catódico, deliciando-se com o mais opíparo dos repastos: a vida de Toy. De carros a mulheres, passando por choco frito ou calcas aderentes, o potente baladeiro ensinou-nos muito na vida. Com ele rimos, chorámos, compreendemos a necessidade de chamar um António, de afagar cuidadosamente os nossos sensíveis Olhos D'Água, ou até mesmo de chutar um assunto incomodativo para canto, pois "tu e que querias festa".
Toy, fã de longa data do "Cromos da Bola"

Quem também gostava de chutar para canto era "o outro Toy" (ou para pontapé de baliza e pela linha lateral, enrolado e sem forca).
Alheio a toda esta obsessão para com o Tom Jones português, o então futebolista do Salgueiros caminhava solitário pela sombra - homónimo, mas infeliz. "Ninguém me ligava puto. Os portugueses passavam a vida com o Toy na boca, mas eu era tratado aos pontapés. Desde cedo percebi que estava destinado a uma vida de renegado, de pária…confesso que o meu coração brilhava sempre que ouvia o meu nome na TV…para cair depois numa longa e agoniante caminhada pelas profundezas infernais da depressão quando me apercebia que era do broeiro de Setúbal que falavam."
 Porém, alturas houve em que o bombardeiro cabo-verdiano esteve também ele nas bocas do Mundo: "Foi bonito ter sido comparado ao Eusébio. Jogar no Benfica foi um sonho realizado. Mas quando via craques como Mawete Junior* ou Pepa a fazer malabarismos e a comer tremoço com casca nos treinos, cedo percebi que aquele mundo não era o meu. Eles eram melhores Eusébios do que eu. O Pepa tinha problemas nos joelhos e tudo...eu sabia que não conseguia competir. Já que não conseguia ser um bom Eusébio, tentei ser o melhor Toy possível. Mas nem isso consegui. Tudo por causa daquele broeiro."
 Já no Salgueiros (01/02), Toy tentou recuperar a chama perdida com a confiança desfeita pelo peso da comparação a Pantera Negra:
"Marquei 5 golos em 33 jogos em Vidal Pinheiro, um excelente pecúlio para um ponta-de-lança. Mas o que me orgulhou mais, foi ter marcado mais do que o Mawete e o Pepa juntos. Ate porque o Mawete marcou zero e o Pepa nenhum. Foi uma época em cheio. Finalmente era eu o ultimo dos Eusébios. Orgulhoso, de pé."
"Olá, eu sou o Toy. Não, o outro."
Porem, a nuvem negra em forma de cançoneta popular pairava incólume sobre a sua cabeça. "Esta época de sonho, a dos 5 golos, calhou ao mesmo tempo da estreia do programa do outro gajo. 'Na Casa do Toy', chamava-se assim. No inicio pensei que falavam de mim na rua, nos cafés…mas depois comecei a aperceber-me de cenas estranhas. Eu nunca conduzi com os joelhos ou apalpei as mamas da minha mulher em almoços de família. Esta gente estará maluca, pensava eu. Ignomínia! Depois a dura realidade atingiu-me com violência. Vi um azeiteiro com suíças fininhas a arrotar em frente a esposa e a comer que nem um porco, e pensei cá para mim: aqui há gato. Mas não era gato, era Toy. Fiquei pior que estragado. Não consegui ser um bom Eusébio, nem sequer um bom Toy."
 A medida que o ex-torneiro mecânico de Setúbal ia tornando Portugal num povo estupidamente apaixonado, o cabo-verdiano ia enchendo seus olhos d'água. E a vida nunca mais seria a mesma.
"Senti na pele aquilo que o Marco Paulo do Estoril e do Estrela**já dantes sentira. Não e fácil. 'Aguenta-te com esta', pensei eu…mas depois vi que o outro Toy ja se tinha antecipado a essa também. Toda a minha vida e um triste LP de insucessos e baladas lamechas.***"

  • *actual craque do Dingli Swallows, da II Divisão maltesa (a serio)
  • ** o único jogador a fazer 15 posições diferentes em campo, mais 2 do que Carlos Costa.
  • *** NOTA DA REDACÇÃO : e o Toy antecipou-se a essa também.

segunda-feira, outubro 25, 2010

A Playlist

Os novos talentos musicais desabrocham em programas de TV, depois de mergulhar contentores de adolescentes várias vezes por dia numa infusão de Lady Gaga + Mickael Carreira + Morangos com Açúcar prescrita pelos pais e educadores. E o país parece estar bem servido, avaliando pelas filas e filas de jovens desocupados que sonham trocar os cadernos pelos palcos com a complacência desses mesmos pais e educadores. Vai haver milhões de vocalistas bem-sucedidos, fugindo dos horrores do karaoke directamente para a capa das revistas. É o que lhes está prometido. E nós podemos não sair nunca da crise e estarmos para sempre dependentes das capacidades concretizadoras do Hélder Postiga, mas, pelo menos, estaremos cheios de estilo e saberemos como animar uma noite na praia junto a uma fogueira.

Já os velhos talentos musicais encontram-se, não na M80 que passa metade do seu tempo com conversa e publicidade de chacha, mas sim no futebol português, mormente na alaranjada II Liga. É verdade.

E há clássicos para todos os gostos. Começando logo pelo Rei. Sim, ele vive. E nós vimo-lo, incomodando avançados com os cotovelos em Santa Maria da Feira. Quando ginga as suas pernas, ele leva a transição ofensiva do adversário ao delírio. Quando pára e observa a multidão em êxtase, isso não significa que está a sentir a audiência, mas sim que está com enormes cãibras. Pois é, a idade não perdoa e a picanha antes dos jogos também não. Não acreditem quando ele diz “love me tender”, porque este menino é capaz de partir uma dúzia de tábuas seguidas só com a cabeça.
Na mesma equipa, podemos encontrar o alegre Mika, um tipo saltitão, deveras irritante com o seu falsete e que faz amigos com as borboletas. Quando a táctica passa por desconcentrar o adversário (i.e., o famoso “jogar no erro do adversário”), Mika é o nº1 – não há ninguém que o ature quando ele começa com aquelas cenas do “love, love me”. Nove em cada dez expulsões dos adversários em jogos do Feirense ocorreram por agressões a Mika. A outra expulsão foi a de João Pereira e não se deveu a nenhuma antipatia especial contra o Mika, mas sim ao seu feitio formatado no Casal Ventoso. Mika confessou-nos que o seu ídolo era o elefante Dumbo, por ser terno e carinhoso e outras mariquices do género, e que sabia que o Dumbo já tinha jogado em Portugal. Desapontámo-lo quando dissemos que Karagounis já cá não joga.
Movendo-se por paisagens mais alternativas, eis Beck. Não confundir com Bock, esse é um primo afastado que é um Super avançado das divisões inferiores, um senhor imperial na área, apreciador da pressão intrínseca destes escalões e que deixa um rasto de espuma de golos atrás de si. Este Beck é pau para toda a obra: faz rap, toca country, executa carrinhos arriscados, organiza a primeira fase de construção ofensiva com a cabeça levantada, ouve Sonic Youth e gosta de jogar ao meiinho nos treinos, mesmo quando fica no meio durante um treino inteiro. Porém, tanta polivalência tem os seus custos: quando as coisas correm mal, é o primeiro a ser acusado de “loser”. Até quando não joga. Que é o que costuma acontecer. “So why don’t you kill me?”, pergunta Beck em desespero. Bah, ainda não tivemos pachorra para te liquidarmos, só isso.
Na nossa proposta musical há evidentemente lugar para as baladas de amor, de maneira a chamar o mulherio para as bancadas. Representante do romantismo italiano, Ramazotti encanta as senhoras com a sua voz nasalada e a maneira escandalosa, mas altamente sensual, de desperdiçar golos com a baliza aberta de uma forma que até faz o Nuno Gomes corar de vergonha. E olhem que com as conversas que ouve no cabeleireiro já pouco faz corar o Nuno Gomes. Ramazotti estava na shortlist de aquisições do Gil Vicente, juntamente com Margão e Cimarron, e acabou por ingressar no clube apenas porque o acaso o quis. “Sono cose della vita”, confidenciou-nos.
Bom, mas também há espaço para a canção portuguesa. E enquanto aguardamos por alguém que jogue a médio-defensivo no Trofense que se chame Nel Monteiro e por algum Zé Cabra que desponte como extremo no Penafiel, já não é nada mau podermos partilhar momentos de fervor amoroso com Toy, a sirene humana de Setúbal. E também um avançado da egrégia geração encanada, “La Quinta del Pepa”, que contou com o próprio Pepa, este Toy, aquele Rui Baião, aqueloutro Mawete Júnior e o indistinto Tote. O Toy cantor desabafava que estava “estupidamente apaixonado” mas este Toy não demonstra paixão nenhuma. Pelo menos, por aquele espaço limitado por dois postes e uma barra, com redes ao fundo a decorar. Digamos que este Toy tem estado “estupidamente desapaixonado” em relação ao golo. E isto tem-se manifestado recorrentemente ao longo da sua carreira. Ou seja, esta é a verdadeira “Toy Story”.
PS – Decerto que toda a gente já constatou que Hélder Postiga, na realidade, não existe:
existe apenas um clone do Matt Bellamy dos Muse que faz uma perninha no Sporting. Espero que compreendam agora a falibilidade do suposto ponta-de-lança. Ele não quer golos, ele quer é Grammys. Ponto.

terça-feira, setembro 28, 2010

A Temática do Dirigismo

Basicamente, podemos encarar o dirigismo desportivo de duas formas.

A primeira é levar as coisas em esforço.
Eis o exemplo acabado: Óscar Rocha, líder da Comissão Executiva do Santa Clara. Falar em “Comissão Executiva” dá imediatamente a ideia de que a vocação do homem não é propriamente ser presidente de um clube de futebol. Uma “Comissão Executiva” faz lembrar uns tipos que se organizaram para arranjar o baile lá da terra. E o pobre Óscar ficou com a responsabilidade de gerir os fundos da quermesse porque era o mais hábil a contar notas de 10 euros e a organizá-las numa caixinha de cortiça, longe do olhar dos bêbados que cirandam à volta do bar com as suas Zundapps barulhentas.
No fundo, dirigir um clube de futebol não é com ele. A expressão diz tudo. Aturar empresários. Planear orçamentos. Aturar egos. Escolher treinadores. Aprovar jogadores da shortlist. Atender telefonemas. Sentar-se ao lado de outros dirigentes que cheiram mal só para parecer cordial. Reunir com tipos que passam o tempo todo a palitar os dentes e a falar da arbitragem, “a porcaria da arbitragem anda a perseguir-nos”. Sofrer a contestação dos adeptos que não percebem nada de contas mas sabem muito bem ver que o passivo está alto. “Nem cum orde do padre cura era capá de meter o passive assim!”, protestam os micaelenses, em arrazoados imperceptíveis. E depois é vir ao continente de 15 em 15 dias e enjoar ao viajar de avião, esperar intermináveis horas em aeroportos e descobrir que as suas vacas já não dão leite e ele nem sequer pode pensar nos seus problemas pessoais. Uma chatice. Uma tarefa hercúlea. É de pôr os bofes de fora. É de suar em bica. É exigir paciência de chinês.
Bom, mas não sejamos totalmente injustos, que Óscar Rocha tem experiência de dirigente no hóquei em patins açoriano. O que é fantástico, dado que maior parte das pessoas nem sonha que possa haver patins nos Açores.

A segunda forma é levar as coisas com naturalidade.
E Isidoro Sousa (Olhanense) personifica essa confiança. Ou melhor, o excelso bigode de Isidoro Sousa transpira, para além de resíduos gordurosos e vapores etílicos, uma enorme dose de determinação. O bigode de Isidoro é uma espécie de último reduto da resistência masculina lusitana, ora convertida a um deserto de metrossexualidade impregnada de geles e loções. Já não há gente nem bigodes assim no nosso futebol. Isidoro é “one of a kind”. “Desenrascanço” é o seu nome do meio. Se os outros andam de BMW e chauffeur, Isidoro circula com o braço dependurado no seu Ford Escort de 1984 pela Riviera algarvia; se os outros andam em spas, Isidoro frequenta o Festival do Marisco e bate records de minis emborcadas numa só noite; se os outros falam em “project finance” e “emissão de obrigações convertíveis”, Isidoro fala em “arranjar uns trocos junto dos industriais conserveiros da região e quem sabe sacar um patrocínio jeitoso à marca de gelados com sabor a sardinha assada”; se os outros tentam ser diplomatas e arranjar as palavras certas, Isidoro não terá pejo em mostrar os pêlos do peito e largar uns sopapos nos oponentes. É por isso que Isidoro revela todas as condições para emparelhar com esse grande mito dos tempos modernos, o verdadeiro Viriato do gangsteirismo que é o Rocha, o saudoso Rocha do Duarte & Companhia.

Bom, mas há sempre uma terceira via, sempre na voga. E essa é a de adoptar uma postura paternalista, distante mas omnipresente, nem bem aqui nem bem ali mas também sim e muito pelo contrário. Digam-me lá se o mui afamado Vítor Magalhães (Moreirense) não se parece com um senhor que até ganhou um determinado concurso aqui há atrasado e que tem nome de utensílio culinário. Até a cair da cadeira o jeitinho é semelhante.

quarta-feira, setembro 16, 2009

Não há Fumo sem Cromo

Sporting Clube de Portugal: viveiro inesgotável de semi-inconsequentes talentos distribuídos de forma carinhosa e baratucha pelos maiores clubes Europeus; poço sem fundo de extremos velozes, azeiteiros e tecnicistas; professor dos mais brilhantes alunos da ciência que é levar uma multidão ao orgasmo colectivo através de uma finta de corpo...porém, nem todas as árvores deste pomar dão maçãs reluzentes. Umas têm bicho, outras são farinhentas, e outras sofrem dessa terrível doença que afecta frutos promissores um pouco por todo o pomar de Alcochete: A Gisvite.

No início do Século XXI, uma solitária maçã caiu longe da árvore que lhe deu a vida. Rebolou enlameada, até parar seu percurso junto de um qualquer agricultor que a enviou prontamente para um périplo que passou pelos deprimidos quintais da Maia (pré-Carlos S.), Póvoa de Varzim (pré-e-pós Alexandre) e Faro (pré-posição).
Confirmava-se. O agricultor de Alcochete queria a sua maçã longe das outras, não fosse ela contaminar todo o seu promissor pomar com a terrível Gisvite.

Essa maçã chamava-se Fumo, e os seus sonhos foram-se lentamente esfumando (heh...) à medida que os sintomas da terrível Gisvite se tornavam mais evidentes: visão periférica de jogo afectada pela Doença de Cid, José; recepção de bola a fazer lembrar a ganadaria Higino Soveral; e discernimento em campo semelhante ao jornalista que teve a ideia de fazer a reportagem com o pastorzinho cujo sonho era conhecer a então Mega-Estrela Mantorras.

A Gisvite era uma evidência, e assumia-se galopante.

Perante a fortíssima possibilidade de registar menos evolução na carreira do que o papel higiénico ao longo das décadas, o tristonho Fumo ponderou assumir a sua humilde condição de maçã bichosa, e manter-se à parte do verde pomar que o viu nascer. Mas a vontade, essa, continuava a ser muita. Quem nunca sonhou jogar ao lado de Didier Lang que levante a mão. Pois é... ("tu não contas, Diego Armando, baixa lá isso que já criaste problemas que chegassem aos ilhéus com essa mania.")

Perante esta realidade, os agricultores de Alcochete tomaram uma decisão drástica: boicotar a carreira desta maçã, para que nunca mais sonhasse aproximar-se do seu precioso pomar.








Os tentáculos do verde polvo cedo se espalharam pela Europa, e a UE foi o primeiro passo:

- "Bruxelas Propõe Europa sem Fumo", vociferavam as agressivas parangonas, "(...)a proposta de recomendação hoje adoptada pela Comissão Europeia insta os 27 a agir em "três frentes principais", a primeira das quais a adopção e aplicação de "leis que garantam a plena protecção dos cidadãos contra a exposição ao Fumo em locais públicos fechados, locais de trabalho e transportes públicos(...)"

O avançado moçambicano sentia-se como um John Rambo de 69kg. Renegado pelos seus, impedido de exercer a sua profissão, e impossibilitado de andar de autocarro, Fumo sentia-se perdido: "E agora, como hei de ir ao Pingo Doce comprar mais daquele delicioso chouriço?!? De bicla? Poupem-me!", foi a sua primeira gota de exprssão de dor. Mas havia mais.
Até a normalmente ponderada Comissária Europeia da Saúde, Androulla Vassiliou, alinhou na perseguição ao móvel atacante ex-Sporting:

- "Estou plenamente convicta de que todos os cidadãos europeus sem excepção merecem ser plenamente protegidos contra o Fumo. (...) trabalharemos em conjunto com os Estados-membros para concretizar esta convicção."

Perante esta enxurrada de comprometedores factos, ecos fizeram-se ouvir:

- "Agora é que nunca mais te chegas perto dos nossos incautos rebentos, sacripanta.", regojizava-se em Alcochete.

- "Não era mais fácil atirá-lo das escadas abaixo?", questionava-se na Invicta.

- "Passa o garrafão, ó Toni!", balbuciava-se na Luz.

- "O Yulian tinha uma penca que Ai Jesus!", queixava-se Zé Mota em Paços de Ferreira.

Mas Fumo, estóico, não alinhava no mesmo diapasão (apesar de Marante ser o seu artista popular favorito). O africano, apostando na sua própria agência de contra-informação, conseguiu permanecer em Portugal durante mais quatro épocas, sob o radar das divisões secundárias e do nariz do Yulian (que era mesmo bastante grande, o Mota tem razão).

Porém, os verdes tentáculos sentiram um leve odor a queimado. Primeiro pensaram que teria sido um bolo que Pedro Barbosa teria deixado no forno, mas rapidamente chegaram à conclusão que o Cruyff de Gondomar jamais se esqueceria de um bolo em sítio algum.
Assim sendo, só poderia ser mesmo cheiro a Fumo.

Rapidamente agiram, e lançaram a seguinte lei, de pronto aplicada no Alvalade XXI:

- "De acordo com o decreto Lei nº 37/2007, é proibido Fumo nas zonas de restauração do Estádio, bem como nos corredores de circulação e escadas. No caso particular dos Camarotes deixa-se ao critério dos detentores o Fumo no seu interior, sendo que nos casos em que a opção for positiva, deverão mater a porta de acesso ao corredor fechada."

Sentindo a careca (que efectivamente não tem - senão seria o Semedo) a descoberto, o avançado ao serviço do Olhanense pôs em marcha um processo que acabaria com a sua transferência para o Chipre, onde estaria a salvo tanto da mafia verde, como do punho opressor da UE, visto que ele era da opinião que o referido País não faria parte da União Europeia - sejamos francos, desde que isto se avacalhou até aos 27 membros, que já ninguém tem a certeza de nada.

Assim, lançou mais uma inteligente campanha de contra-informação, desta feita através do bigode de Isidoro Sousa:

- "(...) o presidente do clube algarvio adiantou que o atleta “encontra-se na Síria desde ontem a fazer testes médicos” e não em Israel, como inicialmente estava previsto. “De momento está tudo a ser tratado com o empresário do jogador e desconheço o nome do clube que vai representar”, confessa Isidoro."

O bigode algarvio confessou, e quando um bigode algarvio confessa, nós ouvimos.
Alívio foi a reacção vinda de Alcochete. Os agricultores responsáveis não sabiam bem onde ficava a Síria, ou mesmo Israel, mas "deve ser daqueles sítios onde se lançam bombas e onde mora o Kassoumov".

Sossegados com a ostracização do fumegante delantero, os dirigentes leoninos decidiram guardar os tentáculos no bolso e deixar o futebolista prosseguir a sua esfumaçante carreira bem longe.

De toda a forma, Fumo veio recentemente repudiar comunicados trazidos à baila já durante os anos de 2008 e 2009, a saber:

- "A proibição do Fumo em espaços públicos ou de trabalho está a traduzir-se no decréscimo da afluência de doentes a emergências hospitalares em países que adoptaram a medida", diz um relatório da Organização Mundial de Saúde.

- "(...) distúrbios entre o Mannheim e a segunda equipa do Kaiserslautern resultaram em 36 detenções e oito elementos policiais feridos(...) os incidentes continuaram na estação de comboios, com os adeptos do Kaiserslautern a lançarem bombas de Fumo."

- "A eleição do novo Papa foi anunciada hoje às 17:50 pelo Fumo branco da chaminé da Capela Sistina mas os sinos da Basílica tardaram a repicar. Inicialmente, as imagens do Fumo transmitidas em directo pelas televisões induziram em erro - o Fumo parecia negro, e não branco, só aos poucos "estabilizando" nesta última cor."

Alcochete negou qualquer envolvimento nestas questões.

quinta-feira, julho 09, 2009

Mosaico Cromático

Estamos na Primavera futebolística, altura em que florescem novas ninhadas de cromos prontas a saciar a sede da massa adepta. É agora que os empresários e dirigentes saem debaixo da penumbra que os envolveu durante todo o estado de hibernação para copularem desenfreadamente em mercados distantes, fazendo despontar mil e uma ilusões sob a forma de um penteado esdrúxulo ou de um nome peculiar por um mero punhado de euros.
É certo que lamentamos a partida de algumas figuras que deram água pela barba à nossa SAD, mas a vida de um cromo é mesmo assim: uma bola a escapulir pela linha final, um atraso na chegada ao treino e, tumba!, lá se vai o cromo.
Felizmente, 2009-10 promete ser uma época tão profícua como as anteriores, deixando a nossa SAD imune à crise que dizem que grassa por aí (Cristiano Ronaldo que o diga).
Só para terem uma ideia, produzimos uma pequena peça artística apenas com algumas caras recém-chegadas à nossa I Liga, excluindo os três da vida airada (sabendo que o Sporting ainda está envolvido nas obras de reconstrução da Academia e o Benfica está a descobrir contratações para o FC Porto remodelar o plantel).

Uma plêiade de cromos bem intencionados e bem fotogénicos, mas que, infelizmente e como dita a Mãe Natureza, terá muitas dificuldades em resistir aos primeiros meses de vida na sempre dura I Liga deste nosso rectângulo. O espaço que medeia entre Julho e Setembro será vital para determinar quais os cromos desta fornada que terão algum sucesso e aqueles que… bem, apenas conseguirão que a nossa SAD se lembrasse deles. Também não nos podemos esquecer que, por vezes, estas novas crias cromáticas são acossadas pelos cromos já residentes, numa dura competição pela sobrevivência ao jeito de um programa da National Geographic aplicado à cromice dos balneários lusitanos.
Analisemos os nomes destes nados-vivos para a principal selva do futebol português de 2009-10:

NAVAL: Quatro crias para preencher a defesa, o meio-campo e o ataque: Lupedo, N’Kake, Aboubacar Tandia e o regresso de um dos nomes mais queridos dos caçadores furtivos de cromos da nossa praça: Ouattara. Um nome sempre em alta nas bolsas cromáticas e que promete não deixar os seus créditos por mãos alheias.

LEIXÕES: Também um ataque à cromice em toda à linha, com Cauê, Patrão, Faioli e o pouco simpático Trombetta.

BELENENSES: Mais modesto nas contratações de campo para compensar o afinco técnico-jurídico com que trabalha na secretaria. Barge e Yontcha dão, porém, um ar de sua graça.

GUIMARÃES: Um norte-americano, Kamani Hill, e um defesa, Lazzanetti, são as principais crias cromáticas do defeso vimaranense.

NACIONAL: Depois da alta taxa de natalidade cromática dos últimos anos, o Engenheiro Alves fez as contas à vida e concluiu que a segurança social nacionalista não podia aguentar aquele ritmo descompassado. Daí a implementação de uma política cromo-contraceptiva à qual escaparam Nejc Pecnik e Elisson.

MARÍTIMO: Nada a assinalar, a não ser repetir um nome que o site zerozero já indicava como parte do plantel de 2008-09 mas que, sinceramente, não nos cansamos de repetir: Takahito Soma, o japonês dos campeonatos nacionais. Veremos se fará hara-kiri ao primeiro copo de saké ou se será o kamikaze dos Barreiros.

PAÇOS DE FERREIRA: Três singelos nomes que não ultrapassam as quinze letras todos juntos: Rondon, Ciel e Bamba (não confundir com Bambo nem com a mulher dele; ele é Bamba como a corda).

SETÚBAL: Os ares de recessão do Sado não impedem que se tragam nomes do quilate de Djikiné e Ladji Keita.

ACADÉMICA: O mais sintético dos reforços equipa de negro: Bru. Espera-se que gere um grande Bru(á). Nem que seja pelo seu penteado Milli Vanilli.

RIO AVE: Tempos de contenção junto às Caxinas. Mas ainda há um Wesllem para apreciar.

BRAGA: Saudosos os tempos do Ganga, Johnny Rodlund e Kim… Talvez Joabe desperte alguma atenção cromíflua.

LEIRIA: Alguma expectativa em torno do guardião Andjelko Djuricic (o novo Miroslav Zidnjak?) e de Sow (o novo Salam Sow?)

OLHANENSE: Autêntica mãe de aluguer cromática desta competição, abraçando todos os filhos que o FC Porto deserda. Desta creche imensa, destaca-se o irascível Zequinha, agora com a oportunidade de ouro para agredir algum interveniente do jogo em prime time. Para além dele, há o Gomis (com “i”).

Resta-nos desejar a todos eles boa sorte… e em Janeiro cá estaremos para analisar uma nova prole.

terça-feira, junho 02, 2009

Champions League

Prestamos hoje a merecida homenagem a alguns dos mais ilustres campeões da nossa deprimida, porém sempre cromática Nação.

Começamos pelo topo; Liga com nome de cerveja que não é super, nem mítica goleadora de divisões inferiores, mas sim navio de referência e símbolo maior da Marinha Portuguesa.

De um trago só, a referida Liga foi uma vez mais engolida pelos senhores do costume, sempre sedentos e com vontade de beberricar uma loira fresquinha que recompense a longa caminhada, aqui e ali salpicada de cromicidade.


















E já que de cromicidade falamos, que seria desta conquista sem um pequeno canhoto argentino, ex-suplente de Lanús, clube atlético e sem feitos de monta para se gabar? Estaremos certamente a falar de uma mini e não um príncipe, apesar do dançável tango que nos terá sido propiciado.

Nélson, bebe amigo, pois logo serás expulso da mesa. Não tens culpa que outros prefiram o green, outros funcionem a diesel, e que no fundo, ninguém aprecie a mini. Mas deixa lá esses sacripantas, e pede mais uma para a viagem. Pagamos nós.

Arrumada a cerveja, desta feita tratamos de água, símbolo de pureza e juventude. Apesar da Liga que dela tem o nome ter sido relegada para segundo plano, vital continua a ser.

E já que de H2O falamos, nada melhor que recordar a intemporal cançoneta de um jovial baladeiro setubalense, que relatava um amor impossível - de duas vidas separadas pelo tempo. Duas lágrimas caindo no momento em que se acende a dor. Olhos de água. Não deixam de sentir. Olhos de água.

Seu nome era Toy, e da vivaça altivez de sua mosquinha berrava para que soubéssemos que as meninas sem par só poderiam dançar se chamassem o António.

Mas em Olhão, outro Toy procurava a redenção de uma partida em falso. Agora no sprint final daquilo a que eufemísticamente chama de "carreira", o ex-futuro-Eusébio e actual sobrevivente da condição física conhecida por Mawetakwápepatoy, assinou o tento que colocou a bejeca na calejada mão do S.C. Olhanense, agremiação que há 34 anos não sorvia o cálice do prazer original.

Porém, os 6 golos e 7 amarelos do avançado ex.quase.futuro@pantera.negra.pt nunca teriam sido possíveis sem o criativo Deus que arma o jogo algarvio. Messi, o símbolo do futebol romântico que persiste em mastigar o calcio mecânico-musculado e a cuspi-lo com desprezo. Com Messi em campo, a mais bela escultura de Donatello toma vida sobre o relvado, com a comovente anuência de Rudolf Nureyev observando em plié todo este quadro digno do pincel de Gauguin.
Obrigado, Mágico Messi. Olhão te ama, coño.

















Na Invicta, não houve apenas uma agremiação de copo na mão. Na estação de metro de Vidal Pinheiro, festejou-se durante um mês inteiro.
A II Distrital já é passado, um pesadelo do qual Cao acordou com suores frios e espancou violentamente até ele se retirar e pedir perdão por ter existido.

A Fénix voa, minha gente. A Fénix sobe, altiva, orgulhosa, e com a certeza de não queimar as asas como Ícaro. Pois Ícaro era um jovem valoroso, mas não tinha a ajuda de um Falmeida. Não tinha Renato de seu lado. E todos sabemos que Cao é o melhor amigo do Homem.

Os campeonatos profissionais já não são apenas um sonho, são um objectivo palpável e sedutor, que sorri provocador, piscando o olho à Fénix. Porém, precisará a Fénix de mais ajuda?
A caixa 5, sector 2 da Exponor está sempre aberta. Mesmo para quem tem mais do que 5 unidades.

Finalizamos com um campeão que não o foi.

O boné da JCA viajou até Oeiras, em ambiente festivo e protegendo inúmeras sardinhadas do impiedoso sol. Porém, veio de lá vazio, sem taça e sem massa.
Mas um campeão faz-se de taças, ou da forma inequívoca como arrebata corações e conquista almas diletantes?


Hoje, meus amigos, habemus campeone. Ferreirem-me os Paços, pois Jorginho levou o Senhor Bigode à final da Taça Millenium, depositando uma saudável dose de verdadeirismo nos cofres depauperados da portugalidade, e passando um peludo cheque endereçado a todos nós.

Jorginho cultivou, Jorginho deixou crescer, e Jorginho disse: "Para vocês, Portugal, um cheque no valor de 5.000 juras de amor."

E nós, companheiro Jorge, nós seremos a tua muralha de palha d'aço.

Campeão allez.

domingo, novembro 25, 2007

Lionel Abide Messi Georges Parfait

Dribles fenomenais, jogadas de puro génio. Penadas de bom futebol no papiro dos predestinados. Glória esvoaçante nas asas de um condor. Insigne fogo que nos queima a alma, abrasivo e sempre altivo na sua demonstração de omnipotência. Um poema circular, esférico até. Um opíparo repasto na mesa dos Imortais, sentado à cabeceira da mesa, com vista para o Olimpo.

Assim é o futebol de Messi, que cai nas amarras tácticas do presente como um boné no depauperado crâneo do deputado Diogo Feio.

Ah, mas não é este. É o tipo do Barça. Alguém enganou os dirigentes do Olhanense.

-"Eh pá, temos aqui um empresário a oferecer o Messi e só quer um calendário da Pirelli, um LP da Céline Dion ao vivo em Gdansk e um VHS dos Gladiadores Americanos em troca!"

-"Porreiro, pá! E eu que até tenho uns episódios de '96 gravados! Esta saiu mesmo bem."
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